quinta-feira, 20 de março de 2014

Herdade da Matinha

Aproveitamos os dias de férias acumulados e os feriados de fim de ano para marcar umas merecidas férias. E que bom que foi! 

Entre sonos espaçados ao longo do dia, madrugadas longas a ver filmes, almoços e jantares em família, desta vez logo a seguir ao Natal, rumamos a Sul até ao Cercal, mais propriamente à Herdade da Matinha.

Já há muito tempo que falava ao T. que gostava de lá ir passar uns dias. E foi desta.

Logo na manhã da viagem, telefonaram a perguntar se jantávamos lá ou não. Decidimos que nesta noite iríamos até Milfontes jantar. 

O caminho até ao Cercal fez-se bem. Parte em auto-estrada e outra parte em estradas nacionais. Pacífico. O mais complicado são os cerca de 3 km finais que são feitos num estradão de terra batida e que agora com as chuvadas estava um bocado esburacado. Fomos devagarinho e lá chegamos já passava das 15h30. 

Fomos recebidos por duas pessoas do staff que nos mostraram a herdade, o espaço interior, a piscina, o espaço onde se faz yoga, massagens e afins e por fim a cavalariça. Indicaram-nos também 2 restaurantes para jantar que acabamos por não ir experimentar: A Tasca do Celso e O Morais.

Entretanto o nosso quarto ainda não estava pronto. Estava a ser ultimado. Fiquei um bocado aborrecida apesar de nada ter dito, já que o check-in era a partir das 14h... E assim que entramos no quarto ainda tinha o chão húmido de ter sido limpo.



Descansamos um pouco e às 18h30 saímos em direção a Milfontes. Eu lembrava-me de um restaurante italiano onde fui há uns anos e que gostei bastante - Pátio das Pizzas (acho eu), mas este restaurante já não existe e deu lugar ao Pátio Alentejano. 

Decidimos experimentar. Como não tínhamos almoçado, estávamos com fome e assim que veio o pão e as azeitonas para mesa, atacamos. A comida não é sofisticada ou elaborada, é caseira e saborosa com doses para manter uma pessoa alimentada durante muitas horas. A minha meia-dose de bifinhos de frango dava bem para 2 pessoas. A seguir ao jantar veio o doce da casa e lambona como sou lá me deliciei com a bolacha, as natas e o leite condensado. Nham nham!

Estava frio e a chover. Por isso demos uma voltinha de carro até ao farol e voltamos para a Herdade. 

Como ainda era cedo, fomos para uma das salas com a lareira acesa. Eu passei o resto da noite a ler um livro sobre cavalos (eu tinha sérias intenções de montar no Domingo) e o T. a fazer umas coisas no portátil ao meu lado. Já era tarde quando fomos para o quarto. 

Na manhã seguinte, acordamos e por volta das 10h30 estávamos na sala de refeições principal. Esperava mais do pequeno-almoço.




Não era mau. Nada disso. Mas não era variado. Havia apenas pão alentejano e um bolo de noz, muito bom por sinal! De resto o normal, compotas, fiambre, queijo, manteiga, café, leite, sumo laranja. O mais normal possível. Tinha a possibilidade de ovos mexidos, mas não alinhamos. Perguntaram-nos se nessa noite jantaríamos na Herdade. Decidimos que não novamente. Por muito boa que fosse a comida, não estávamos dispostos a pagar a volta de 30 e tal euros por pessoa (sem bebidas) por um jantar. 

Felizmente, o tempo estava bem melhor que no dia anterior e o sol mostrou-se muitas vezes. Até por volta das 16h estivemos em Milfontes. Fomos até ao Farol, passeamos na praia das Furnas, compramos um jornal e uma revista e estivemos a ler ao sol. 

Combinamos uma sessão de massagens e um jantar especial no quarto. Quase de regresso fizemos as compras para o nosso jantar e voltamos a herdade. E passamos lá o resto do dia.

Chegou o Domingo e como ele um dia sol muito bom! Era o dia de regresso e eu tinha uma sensação de vazio em relação ao lugar. 

Tantas expectativas e sentia-me frustrada. Nem o passeio de cavalo que eu tanto ansiei tive coragem de fazer. Fiquei com medo. O T. queria ir, já há muitos anos que não montava. O Miguel, a pessoa responsável pelos cavalos é super divertido e bem disposto. Estivemos os 3 a conversa enquanto o Miguel preparava as éguas que os levariam aos dois num passeio até ao cimo da colina. A Vitorina a égua do Miguel e a Serra a égua do T.. Eu fui aproveitanto para pentear as crinas das bicharocas, para fazer festinhas e para tirar umas fotos.



Às 12h30 lá foram os 2. Eu ainda os segui a pé no início do caminho, mas depois a Boneca (cadela linda que apareceu abandonada e que hoje pertence a Herdade) rendeu-me e seguiu o Miguel e o T. durante TODO o passeio. 


Na volta, eles contaram que cheia de calor, a Boneca deitava-se em tudo o que era poça de água! E branquinha como é, passou ao tom castanho, mas nunca desistiu!


A Serra, assim que chegou foi tomar um banho tão suada e cheia de calor que estava a bicha! Depois foi solta no pasto e rebolava-se na relva.

Eu aproveitei o tempo de espera para tocar num piano que havia numa das salas. Lia as pautas no telemóvel e ia tentando recuperar a arte que antes dominava.


E pronto, por volta das 14h30 estávamos a deixar a Herdade da Matinha de regresso a Lisboa.

Eu confesso que tenho muita pena de escrever este texto. Eu gostava de ter gostado muito, de ter adorado, de que a Herdade me tivesse ficado no coração. Mas não. Achei (achamos) a relação preço/qualidade muito desfavorável. Também é verdade que a época escolhida não foi a melhor, porque não pudemos aproveitar o espaço exterior.

Em resumo... a verdade é que por qualquer razão e apesar das expectativas altíssimas a Herdade da Matinha não encheu o meu coração.    

Sem comentários: