quinta-feira, 9 de maio de 2013

5º Dia - Estremoz - Elvas - Badajoz

Chegou o grande dia. A etapa final!

E foi assim... depois do jantar magnífico da noite anterior, assim que chegamos ao quarto preparamos tudo para o dia final. Desta vez seria diferente. Não levaríamos mochilas. Ou melhor, a mochila só transportaria o essencial: água, telemóveis e carteiras. Toda a restante logística ficaria no hotel a espera que o nosso carro de apoio, que é como quem diz os pais do T., passassem lá e buscassem.

Por isso, de manhã, eram 7h30 já estávamos a tomar o pequeno almoço. A D. Maria, preparou-nos uma refeição deliciosa e bastante "nutritiva" já que íamos mesmo precisar de energia para os km que tinhamos de percorrer.

Por volta das 8h a D. Maria convida-nos a conhecer o antigo lagar/adega do Monte da Rosada. A ante-sala tinha o chão em declive e era aí que as uvas iam sendo colocadas no chão ao mesmo tempo que eram pisadas. O que era produzido ia sendo colocado num depósito (lembram-se do chão em declive? No centro da sala havia um caminho que ia dar ao depósito) e depois com uma "bomba" manual, o vinho saía desse depósito para os potes.


Ficamos impressionados com o tamanho dos potes de barro (cada um levava a volta de 1500 l de vinho!) e só os que contei eram para mais de 20 potes!

Explicou-nos ainda que esses potes quando estavam cheios eram selados. Sabem como? Esqueçam as tampas, os paninhos e outros que tais. Os potes eram selados com azeite ou com cera. Uma vez que nenhum dos elementos se mistura com o vinho. Achei muito interessante!

Mostrou-nos ainda o alambique onde era produzido a aguardente com o bagaço das uvas. Enfim... uma casa com 150 anos, tem mesmo muita história para contar.


Às 8h30 saímos do monte e fizemo-nos a estrada. Até Elvas faltavam 55km.  O T. foi avisando que o caminho de hoje era bastante mais por estrada e que a partir do km 20 teríamos subidas valentes.

Logo a saída de Estremoz passamos por um águia mas não conseguimos fotografar. Continuamos a ver paisagens inspiradoras de um Alentejo soberbo.



Passamos por um monte de alguém que tal como nós deve gostar muito de bicicletas...



Encontramos ovelhas, perús, perdizes e até patos reais. Uma festa! Estão a ver a converseta? :)


O passeio continuou tranquilo pelas paisagens do Alentejo.



Fomos avançando bem mais rápido do que era habitual já que não estávamos tão carregados e às 12h35 entramos em Elvas. Tiramos algumas fotografias junto do Aqueduto de Elvas que foi classificado como património da Humanidade pela UNESCO.




Já não faltava tudo e em Elvas tínhamos a nossa espera os pais do T. que foram ter connosco. Sentimos uma alegria enorme. Em especial quando vi o meu sogro do outro lado da estrada a fazer uma festa ainda maior quando nos viu! Ficamos de coração cheio! A seguir fomos almoçar umas belas de umas bifanas que eles trouxeram-nos de Montemor e de sobremesa um bolo de laranja delicioso... estávamos cheios de fome!

Descansámos um pouco e às 14h30 pusemo-nos a caminho! Faltavam 22km até Badajoz. Antes ainda fomos até ao Castelo de Elvas (sim, sim... eu subi de bicicleta!) e só a seguir iniciamos novamente o track.



Até Badajoz a paisagem começou a ficar diferente. Mais árida, menos verde, mais castanha. Estava bastante calor e o céu tinha um azul lindo, lindo, lindo!

Os caminhos voltaram a ser novamente de terra batida e pedras. E ao longe, bem ao longe, víamos a cidade e a ânsia de chegar aumentava. Confesso que foi só neste percurso que finalmente acreditei que conseguiria cumprir o objetivo e sentia-me orgulhosa por isso.

Conforme nos aproximávamos do destino, parecia que mais rápido pedalávamos. Até que finalmente apareceu a placa que dizia: "Espanha". Essa foto é a nossa entrada em território espanhol junto ao rio Caya.


Quando entramos mesmo dentro da cidade, seguimos pela ciclovia. Parece que caso as bicicletas circulem pelo passeio, arriscam-se a multas de 80€.



O cansaço ficou lá atrás. O calor desapareceu. As dores já não me lembrava delas. A alegria da conquista essa permanecerá para sempre. Essa conquista é minha! Já ninguém me tira...


Até à próxima BRUTAL ADVENTURE...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

4º Dia - Avis - Estremoz


Que difícil foi acordar este dia! Não porque faltasse vontade de continuar caminho mas porque tínhamos um quarto fantástico,uma cama enooorme e super ultra confortável!  Mas, por outo lado, esperava por nós um dia, certamente, fantástico de viagem.


Mas o que tem de ser tem muita força e às 8h40 estavamos a tomar um pequeno-almoço maravilhoso! Lembro-me do bolo de chocolate com mousse no interior, o outro bolo que não sei do que era mas que estava de chorar por mais, do sumo de laranja natural fresquinho, do pão macio e quentinho e os croissants deliciosos!


Às 9h30 partimos e ficamos de "coração partido" por não poder estar mais um pouco na Herdade mas outras oportunidades aparecerão!

O passeio foi lindíssimo. As paisagens do Alentejo cada dia nos apaixonavam mais e mais. E sempre que paravamos as bicicletas e olhavamos a volta era impossível não sentir orgulho "disto" ser Portugal!




Pelo caminho cruzamos o olival da marca "Oliveira da Serra". Um olival extenso onde a vista não alcançava o seu fim.


Logo de seguida chegamos a Ervedal e fomos até a ponte suspensa. Segundo nos contaram na aldeia, a Ponte 25 Abril é uma réplica em tamanho maior da Ponte do Ervedal. Efetivamente são ambas muito parecidas. O T. cruzou a ponte de um lado ao outro.



Para além disso, haviam hóspedes nos topos dos pilares. Adivinhem quem?


Continuamos o caminho e ao longo do percurso fomos encontrando vários animais mas encantaram-nos os cavalos de uma herdade que atravessamos. Primeiro, assim que nos viram assustaram-se mas decidimos parar e tentar fazer uma festinha num deles. Assim que aproximei-me da cancela afastaram-se. Comecei então a "falar" com eles e um a um foram se aproximando e deixaram-nos fazer festinhas. No final, tínhamos quase toda a tropa reunida perto do portão!





Sem poder estar ali mais tempo arrepiamos caminho e alguns desafios começaram a aparecer.

1. Subidas íngremes em macadame: Check!
2. Passagem nas "cancelas" para os animais não fugirem: Check! (De referir que há uns tempos eu não atravessava esses rolos)
3. Descidas rápidas: Check!


Portanto, passei com distinção nas provas. Também pudera... com um mestre como o T. não tinha como não o fazer!

Por volta das 13h15 estávamos em Sousel e fizemos a nossa pausa para almoçar! Enquanto esperávamos passou por nós um senhor a levar o lorde cão na bicicleta e o lorde cão a fazer uma barulheira enorme! O T.  "perseguiu-os" para conseguir esta foto:


Já eu tinha começado a atacar a minha bifaninha e o T. lembra-se: "Vamos tirar a foto desta vez!" Lá compusemos o prato e ficou esta bela foto:



Era dia da Mãe e não podíamos deixar de ligar as nossas mães e deixar um grande beijinho as duas! Melhor as 3 que a minha avó acaba por ser mãe 2 vezes! :)

A saída de Sousel estava um calor enorme e tivemos logo de atacar uma subida. Dureza esta vida de BTTista.


Faltavam perto de 25 km para Estremoz. Pedalamos, pedalamos, pedalamos... até que... o T. decide descansar a sombra de um chaparro.


Mais a frente descobrimos o que eram os gigantes rolos de plástico que já tínhamos encontrado várias vezes pelo caminho. Ora vejam:



Depois de desvendado o mistério continuamos caminho e fomos tirando várias fotos do caminho.





Às 16h20 estávamos em Estremoz e parámos em frente a antiga estação de caminhos de ferro para descansar e recuperar energias.


Mas Estremoz não era o nosso destino final. Ainda tínhamos de percorrer uns 8 km até chegar ao hotel onde iriamos ficar hospedados nesta noite. Eram perto das 17h quando chegamos ao Hotel Rural Monte da Rosada. Depois do check-in e de um duche para refrescar o T. foi dar um mergulho na piscina e aproveitamos para esticar as pernas.



A noite tivemos um jantar tranquilo no restaurante do hotel onde fomos relembrando alguns episódios da nossa viagem.

3º Dia - Couço-Mora-Avis


Antes de começar, vamos já fazer um pacto:

Nunca mais ninguém ouse dizer-me que o Alentejo é planinho! Nunca mais!

Já lá chegaremos...

A noite no Couço não foi das melhores, não sei se resultado do esforço físico, custou-nos bastante adormecer, pelo que só devemos ter pregado os olhinhos perto da 1 da manhã.

Para a nossa 3ª etapa queríamos começar cedo e por isso às 7h45 estávamos a pé a preparar para o pequeno-almoço e a seguir sair. E assim foi. Às 8h30 as bicicletas já rolavam na estrada. A manhã estava um pouco fresquinha.


Foi engraçado que assim que sentámos no selim percebemos que já tínhamos 2 dias de viagem já que os músculos das pernas "repuxavam" e sentíamos a tal dor de "rabito" dos ciclistas. Não conhecem? Então andem durante uns dias e logo ficam a saber :). Mas não se assustem, para ser totalmente honesta, não são dores insuportáveis e passados uns 5 a 10 minutos já não as sentimos. Principalmente se o selim for o Selim Sofá como o meu :) Assim que tirar uma foto mostro.

Logo que saímos do Couço e entramos pelo trilho da etapa, quem lá estava? Ela, a PRIMEIRA subida das muitas que ainda estavam para vir (e como subimos, senhores! Como subimos!). Atacámo-la como bravos aventureiros.  Descobri rapidamente que a roupa que tinha vestido durante a manhã era claramente demasiada. As subidas fazem aquecer muito! Uma manguinha curta seria muito mais apropriado.


A paisagem desta etapa foi das mais bonitas até então. Percorremos caminhos com campos multicores a perder de vista, com sobreiros e azinheiras a emoldurar a paisagem, com pequenos ribeiros e lagos onde podíamos ouvir o coaxar dos sapos, ruínas de antigas herdades que outrora traziam vida aquelas paragens tão longínquas.


O estradão de terra batida estava em muito bom estado o que nos permitiu rolar com alguma facilidade. Já sabíamos que para cada subida, haveria uma descida onde conseguíamos descansar as pernas e refrescar-nos com a brisa da manhã. Foi de facto um dos mais bonitos caminhos que fizemos.




Ao fim de quase 1h30 de caminho começaram as subidas. Devemos ter feito perto de 1 hora sempre a subir, subir, subir... e o calor a apertar o que dificultava um pouco o trajeto. Mas tínhamos como objetivo almoçar a Mora e não desistimos. No fim da subida, chegámos a estrada que nos levaria a Mora e o T. sugeriu que fossemos almoçar ao Fluviário de Mora. Aproveitamos a Ciclovia que existia e lá seguimos caminho... No entanto, qual não foi a nossa surpresa quando a ciclovia de repente, terminava, imaginem... num precípio! O T. tirou esta foto de tão caricata que foi a situação.


No caminho para o Fluviário encontrámos os Lobitos.


Chegamos a zona do Fluviário e parámos num bar perto da barragem para almoçar. Eram 11h45. A fome apertava e o corpo já pedia mais energia. Almoçamos bem mas para não variar acabamos por não tirar fotos já que a fome fala sempre mais alto que a lembrança da fotografia! De barriguinha cheia, arrancamos eram perto das 12h30. Ainda faltavam perto de 30km até ao destino final: Avis.

Assim que retomamos o caminho percorremos o passadiço de madeira ao longo das margens da albufeira do Açude do Gameiro. Uma paisagem muito bonita.


Mas durante um bom bocado do percurso bastante desafiante. Single tracks onde do lado direito tínhamos o rio como limite. O que significa que era preciso muita atenção para não irmos parar a água. Para o T. tudo canja! O homem é mesmo bom nisso! Felizmente tinha-o por perto para incentivar e proteger a sua soldado :-).


Tenho de admitir que ainda sou uma mariquinhas para limites tão "desafiantes" chamemos assim... em alguns troços tive de avançar com a bicla pela mão, mas também consegui boas performances, vejam lá:


O calor apertava. Estamos no Alentejo, ora bolas! Mas as paisagens junto ao rio compensavam claramente.


Quando já todas as indicações diziam que estávamos perto de Avis...



eis senão quando surge esta "subidinha". Meus amigos... não vos digo nem vos conto. Foram várias. Várias deste calibre. E depois as descidas que compensavam não demoravam nem 1 minuto a percorre-las! A ideia que fiquei é que neste dia passamos mais tempo a subir do que a descer.


Mas uma coisa posso garantir: é que apesar de todo o esforço as paisagens no topo eram absolutamente lindas! Tão lindas que as fotos não podem mostrar o que os nossos olhos viam e o que os nossos ouvidos ouviam.

Já estava bastante cansada, mas ainda tínhamos de chegar perto de Avis até ao hotel que iríamos ficar. Eu já rabugenta de tanto calor e cansaço e o T. sempre paciente e a incentivar-me a dar mais um bocadinho.

Eram perto das 16h quando de repente deixo de ver o T. e continuo na estrada a refilar: "Mas onde é que ele se meteu agora?" e assim que olho para o lado, toda a minha rabugice foi a vida! Herdade da Cortesia. O T. todo sorridente estava a entrada do hotel a rir-se de me ouvir a falar sozinha e diz que um grande sorriso apareceu no meu rosto assim que percebi que tínhamos chegado!

Percorremos os caminhos de entrada da Herdade e todo o meu cansaço esvaiu-se só de pensar no bom que seria lá estar.


Logo após o check in, corremos para o quarto tomar um duche e a seguir... piscina! Que descanso maravilhoso!






À noite fomos até ao Clube Náutico jantar e aproveitamos para ver um por do sol fantástico junto da albufeira da barragem do Maranhão.




Assim foi o nosso dia de viagem. Amanhã teremos mais novidades.