Antes de começar, vamos já fazer um pacto:
Nunca mais ninguém ouse dizer-me que o Alentejo é planinho! Nunca mais!
Já lá chegaremos...
A noite no Couço não foi das melhores, não sei se resultado do esforço físico, custou-nos bastante adormecer, pelo que só devemos ter pregado os olhinhos perto da 1 da manhã.
Para a nossa 3ª etapa queríamos começar cedo e por isso às 7h45 estávamos a pé a preparar para o pequeno-almoço e a seguir sair. E assim foi. Às 8h30 as bicicletas já rolavam na estrada. A manhã estava um pouco fresquinha.
Foi engraçado que assim que sentámos no selim percebemos que já tínhamos 2 dias de viagem já que os músculos das pernas "repuxavam" e sentíamos a tal dor de "rabito" dos ciclistas. Não conhecem? Então andem durante uns dias e logo ficam a saber :). Mas não se assustem, para ser totalmente honesta, não são dores insuportáveis e passados uns 5 a 10 minutos já não as sentimos. Principalmente se o selim for o Selim Sofá como o meu :) Assim que tirar uma foto mostro.
Logo que saímos do Couço e entramos pelo trilho da etapa, quem lá estava? Ela, a PRIMEIRA subida das muitas que ainda estavam para vir (e como subimos, senhores! Como subimos!). Atacámo-la como bravos aventureiros. Descobri rapidamente que a roupa que tinha vestido durante a manhã era claramente demasiada. As subidas fazem aquecer muito! Uma manguinha curta seria muito mais apropriado.
A paisagem desta etapa foi das mais bonitas até então. Percorremos caminhos com campos multicores a perder de vista, com sobreiros e azinheiras a emoldurar a paisagem, com pequenos ribeiros e lagos onde podíamos ouvir o coaxar dos sapos, ruínas de antigas herdades que outrora traziam vida aquelas paragens tão longínquas.
O estradão de terra batida estava em muito bom estado o que nos permitiu rolar com alguma facilidade. Já sabíamos que para cada subida, haveria uma descida onde conseguíamos descansar as pernas e refrescar-nos com a brisa da manhã. Foi de facto um dos mais bonitos caminhos que fizemos.
Ao fim de quase 1h30 de caminho começaram as subidas. Devemos ter feito perto de 1 hora sempre a subir, subir, subir... e o calor a apertar o que dificultava um pouco o trajeto. Mas tínhamos como objetivo almoçar a Mora e não desistimos. No fim da subida, chegámos a estrada que nos levaria a Mora e o T. sugeriu que fossemos almoçar ao Fluviário de Mora. Aproveitamos a Ciclovia que existia e lá seguimos caminho... No entanto, qual não foi a nossa surpresa quando a ciclovia de repente, terminava, imaginem... num precípio! O T. tirou esta foto de tão caricata que foi a situação.
No caminho para o Fluviário encontrámos os Lobitos.
Chegamos a zona do Fluviário e parámos num bar perto da barragem para almoçar. Eram 11h45. A fome apertava e o corpo já pedia mais energia. Almoçamos bem mas para não variar acabamos por não tirar fotos já que a fome fala sempre mais alto que a lembrança da fotografia! De barriguinha cheia, arrancamos eram perto das 12h30. Ainda faltavam perto de 30km até ao destino final: Avis.
Assim que retomamos o caminho percorremos o passadiço de madeira ao longo das margens da albufeira do Açude do Gameiro. Uma paisagem muito bonita.
Mas durante um bom bocado do percurso bastante desafiante. Single tracks onde do lado direito tínhamos o rio como limite. O que significa que era preciso muita atenção para não irmos parar a água. Para o T. tudo canja! O homem é mesmo bom nisso! Felizmente tinha-o por perto para incentivar e proteger a sua soldado :-).
Tenho de admitir que ainda sou uma mariquinhas para limites tão "desafiantes" chamemos assim... em alguns troços tive de avançar com a bicla pela mão, mas também consegui boas performances, vejam lá:
O calor apertava. Estamos no Alentejo, ora bolas! Mas as paisagens junto ao rio compensavam claramente.
Quando já todas as indicações diziam que estávamos perto de Avis...
eis senão quando surge esta "subidinha". Meus amigos... não vos digo nem vos conto. Foram várias. Várias deste calibre. E depois as descidas que compensavam não demoravam nem 1 minuto a percorre-las! A ideia que fiquei é que neste dia passamos mais tempo a subir do que a descer.
Mas uma coisa posso garantir: é que apesar de todo o esforço as paisagens no topo eram absolutamente lindas! Tão lindas que as fotos não podem mostrar o que os nossos olhos viam e o que os nossos ouvidos ouviam.
Já estava bastante cansada, mas ainda tínhamos de chegar perto de Avis até ao hotel que iríamos ficar. Eu já rabugenta de tanto calor e cansaço e o T. sempre paciente e a incentivar-me a dar mais um bocadinho.
Eram perto das 16h quando de repente deixo de ver o T. e continuo na estrada a refilar: "Mas onde é que ele se meteu agora?" e assim que olho para o lado, toda a minha rabugice foi a vida! Herdade da Cortesia. O T. todo sorridente estava a entrada do hotel a rir-se de me ouvir a falar sozinha e diz que um grande sorriso apareceu no meu rosto assim que percebi que tínhamos chegado!
Percorremos os caminhos de entrada da Herdade e todo o meu cansaço esvaiu-se só de pensar no bom que seria lá estar.
Logo após o check in, corremos para o quarto tomar um duche e a seguir... piscina! Que descanso maravilhoso!
À noite fomos até ao Clube Náutico jantar e aproveitamos para ver um por do sol fantástico junto da albufeira da barragem do Maranhão.
Assim foi o nosso dia de viagem. Amanhã teremos mais novidades.





















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