terça-feira, 28 de agosto de 2012

3º Dia - Destino Sagres

Bom dia Sr. Passageiro,

Hoje é o grande dia. Vais conhecer onde a terra acaba e o mar começa. Não vai ser fácil. Hoje é o dia mais difícil desta jornada de 3 dias de viagem. Para conseguir atingir o objectivo vais ter de ultrapassar grandes desafios: conquistar castelos, atravessar montanhas, contornar rios e canais e tudo em tempo record. Mas deixemos de ser piegas e lamechas. Nada é mais forte do que a determinação de atingirmos o objectivo, isto hoje ficará bem comprovado.

Começas o dia com um pão quentinho alentejano caseiro, é domingo e a padaria está fechada. O pão é feito num forno caseiro e estava simplesmente delicioso. Humm... Comemos até não poder mais. Depois deste manjar partes em direcção a uma das praias que concorre à 7 melhores praias de Portugal: a Praia de Odeceixe. Primeiro segues junto ao rio e depois sobes e desfrutas a belíssima paisagem.



Se és um amante de single tracks terás a oportunidade de percorrer um fantástico durante muitos kms e ainda muitos mais minutos. Um canal de rega de águas frescas e límpidas vão proporcionar-te um passeio muito rolante e agradável. Se não fossem as placas a "proibir" especificamente os "BTTistas" de se banhar no canal, nós tínhamos dado um mergulho. Ai tínhamos, tínhamos... Assim tivemos de seguir caminho. Não fosse aparecer algum guarda florestal e aplicar-nos uma multa substancial em numerário.




Nestas viagens conseguimos ver tudo: das mais belas paisagens, às coisas mais insólitas. Por vezes, difícil é perceber como existem artistas que conseguem tamanhas proezas. Conseguem imaginar um carro equilibrado num muro com as duas rodas no ar? Conseguem imaginar como o habilidoso artista conseguiu esta maravilhosa façanha? Pois nós tivemos algumas dificuldades. Brutal.




Tivemos de seguir viagem. O tempo não pára. Ainda temos um castelo para conquistar e muitas montanhas para atravessar. Tínhamos falado em dificuldades, mas até agora tudo fácil. Pois é... Só que agora para conquistar um castelo vais ter primeiro de atravessar uma serra. Serve como aperitivo. Um aquecimento antes do ataque ao castelo de Aljezur. 




Depois vais para a serra algarvia. Com subidas e descidas. Umas mais difíceis outras menos. Em suma um tipico BTT de montanhas. Só com uma particularidade. Só uma. As pedras já começam a ficar quentes e tu transformas-te  numa tosta mista (sem pão) a ser feito na torradeira. Por cima o sol quente. Por baixo o calor irradiado pelas pedras. Tu começas progressivamente a derreter. Literalmente.



Por isso quando tu começas a aproximar-te novamente do mar e a sentir uma brisa fresca e o cheiro inconfundível de maresia a sensação começa a ser brutal. Neste momento o teu olhar procura no horizonte perceber onde o azul do céu acaba e começa o mar. Porque sabes quando conseguires descobrir é porque já estás bem perto.



Quando chegas ao mar e vês novamente aquelas falésias ainda mais majestosas que as do dia anterior. Tu esqueces de tudo. Queres parar em todos os pontos para fotografar porque todas te parecem ainda mais belos que o anterior. A tua noção do tempo desaparece e só queres é apreciar aquele momento e aquele sitio.





Claro está que quando vês um restaurante no meio deste local. Não há hipótese. Tu queres almoçar naquela esplanada (à sombra já chegava de sol) e desfrutar de cada segundo daquele local. Obviamente vais comer a melhor sandes de presunto de Portugal, pelos menos vai saber-te como tal. A mim e ao amigo e companheiro de viagem souberam. Estávamos junto da praia do Amado.


Quando saímos do restaurante eu não ia nada preparado para o que nos esperava. Estava eu convencido que agora seria sempre assim até onde a terra acaba. Mas sem saber muito bem porque o track do GPS vira novamente para o interior e... Aparece-te uma parede com 40 a 70m de altitude. Tu não consegues subir aquilo a pé com uma bicicleta. Nem sei como jeeps conseguem descer aquilo.


O J. não me deu hipóteses. Eu ainda estava a recuperar do choque psicológico do momento já o J. ia a subir pelo parte lateral (este hombre es una maquina!). Comecei a subir e nem queria acreditar. Isto agora não... O J. já ninguém o via. Investiguei no GPS para verificar se tinha alguns track alternativos e lá descobri um que ia pela praia. O  sorriso voltou para a minha cara. Agora tinha que dizer ao J. da minha brilhante descoberta. Liguei por telemóvel mas não o convenci. Disse-me que já tinha chegado ao topo. Era já ali. Fosse até lá.  Assim fiz. Quando lá cheguei e olhei para o caminho e... uma descida igual à subida anterior e depois outra subida e outra descida. Contra factos não há argumentos e nesta altura já o consegui convencer. 

Voltámos para a praia para andar de bicicleta. A maré estava a vazar e havia areia "dura" onde se conseguia andar de BTT. Momento brutal. Aquele pesadelo tinha terminado. Pensava eu...



Infelizmente quando a praia terminou o GPS começou a indicar novamente para dentro. Aqueles morros que eu nem sei como chamá-los, estavam novamente a nossa frente. Não havia hipóteses. Teríamos que enfrentar aqueles meninos. Eram 14h estávamos pelo track a 30km de Sagres e tínhamos autocarro para Lisboa à 16h. Claro que tínhamos de chegar antes para embalar as bicicletas. Ali parados é que não podia ser. Lá fomos nós.


Nesta parte o efeito tosta mista foi brutal. Não havia uma única sombra e estávamos no pico do calor. Para situações de emergência temos de tomar medidas de emergência. Eu tinha levado uns extreme gels. Aqueles que têm cafeína, taurina, guaraná e sei lá mais o que... aqueles ficas como novo sem saber muito bem porque. Aquilo aquece-me as pernas de uma forma... Atravessámos estas serras em direcção à estrada e começamos a acelerar e chegamos a Sagres a rolar a 50km/h. Chegámos às 14h50 e antes ainda lavámos as bicicletas num "elefante". Digam lá que não somos os maiores? Brutal. Claro está depois de passarmos as passas do Algarve, que é como quem diz as serras Algarvias, viemos sempre por estrada. Com muita pena nossa, mas tínhamos o autocarro.


Deixo-vos aqui as imagens brutais de Sagres.



Faltava confirmar que não era mais possível ir para sul e que a terra terminara e o mar começava. Sim era o objectivo da viagem e tinha de ser confirmado. Levamos as bicicletas até à praia.

 

e ainda com roupa vestida entrei dentro de água e abracei, mergulhei e assim de tudo aproveitei e desfrutei daquelas águas tão límpidas.Que bem que souberam aqueles mergulhos.



Simplesmente BRUTAL. Até à próxima BRUTAL ADVENTURE.

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