Em vez de uma brisa fresca temos um vento do deserto seco e quente.
Em vez de florestas verdes e densas temos rara vegetação rasteira e sem cor.
Em vez do clima temperado temos 41º a sombra.
Em vez de rios e cascatas temos o solo árido e coberto de sal.
Em vez dos passsarinhos a cantar apenas o som do sal a estalar com as contrações/expansões provocadas pelo calor.
Em vez das curvas e contra-curvas temos retas a perder de vista.
Em vez do desejo de ficar temos o desejo de sair.
É assim o Death Valley. Uma imensidão de nada. Um lugar longínquo e solitário. Onde a beleza está estampada nas cores diferentes dos rochedos. Nos outrora percursos de rios agora apenas delineados pelas rochas.
Vamos então ao nosso dia de viagem.
Assim que saímos de Bishop começamos a perceber que a paisagem que antes nos tinha acompanhado, deixava progressivamente de aparecer. Em vez dos pássaros que normalmente viamos no ar, começamos a ver aviões caça da US Army a rasgar o céu em vôos de baixa altitude. Provavelmente a realizarem treinos já que esta é uma área totalmente desabitada. As rectas interminaveis sucediam-se umas às outras.
A A. queria muito ver um urso. Contra todas as probabilidades encontrou um no centro de informações sobre o Death Valley.
Após umas 3 horas de caminho chegámos as primeiras dunas do deserto. Quando saímos do carro apanhámos um ar muito, muito quente do deserto. A sensação foi: uaaaauuu...! Até custava a respirar. Mesmo assim quis ir andar na areia do deserto. A A. não quis fazer a experiência e lá fui eu fazer uma caminhada nas dunas de areia.
Lembram-se dos dias de praia que só conseguimos andar na areia com uns chinelos calçados para não queimar os pés? Pois é, não tem nada a ver. Eu tinha as minhas sapatorras de caminhada e conseguia sentir o calor nas solas dos pés... Fiz uma caminhada de 10 minutos nas dunas do deserto. Os meus pés começaram a arder. Os meus lábios secaram e comecei a transpirar só com uma caminhada. É impressionante a velocidade como se desidrata nestas condições. Pensei refrescar-me no WC que havia perto do carro, mas em segundos desisti da ideia. O WC não tinha água. Não tinha nem nunca teve agua. Estamos no meio do deserto, certo?!... Agora imaginem um WC sem água. Não vou entrar em mais pormenores por questões óbvias.
Imaginem lá como é que será um WC sem água...
Continuamos viagem e chegámos a Furnace Creek que fica localizado 33m abaixo do nível do mar. Relembro que ontem estávamos a cerca de 2000m de altitude. Fizemos uma pausa para almoçar e seguimos novamente viagem até ao Devil's Golf Course.
O Devil's Golf Course, foi há 2000 anos um lago salgado que evaporou e a única coisa que ficou foi o sal. Ou seja, o que existe agora é um depósito de sal cujo tamanho a nossa vista não consegue alcançar. E sem um, sem um único sinal de vida. No silêncio absoluto, a única coisa que é possível ouvir, são os cristais de sal a expandir e contrair com as alterações de temperatura.
Faltava ainda ir a BadWater, o ponto mais baixo dos EUA. Fica a 85m abaixo do nível do mar. Esse ponto foi o único lugar onde conseguimos encontrar pequenos charcos de água. Que apesar de limpa era extremamente salgada, criando na sua superfície placas de sal. Nestas águas, há pouco tempo começou a exisitr uma espécie de vida: uma cobra (não me recordo do nome). Na rocha mesmo em frente a BadWater havia uma marcação de onde seria o nível do mar. Deixo aqui as fotografias para tentarem descobrir onde está a placa.
Antes de ir embora de Death Valley ficamos aguardar para ver o pôr do sol no deserto. Eu tenho um comando remoto para fazer disparar a máquina fotográfica. Então coloquei a máquina num tripé e estivemos a brincar a tirar fotografias a nós próprios. O momento foi divertido para nós e para as várias pessoas que iam rindo das parvoíces que íamos fazendo. Fica aqui só uma imagem e deixo vocês imaginarem as outras fotografias.
Já noite chegámos a Las Vegas. Mal chegámos ao nosso hotel o carro que estava a nossa frente sairam 5 travestis com umas min-saias. Ou melhor com um cinto largo. Parecia que estávamos no carnaval de Torres. Bem-vindo a Las Vegas. A A. ficou de boca aberta. Depois fomos ver o espectáculo de luzes de Las Vegas. Não se compara ao espectáculo da noite anterior, mas também tem o seu encanto.
O próximo dia estaremos no Grand Canyon.





















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